Casarão Simplício Dias

Casarão Simplício Dias

quarta-feira, 8 de junho de 2011


a memória é fraca e tênue como o corpo;
o que reluz d'outrora agora, muito pouco...
A voz d'antanho tange numa voz de morto...
O poema é faca de ponta que escava em vão.
A lua, no entretanto, que no céu circula,
é a mesma d'outrora e na lâmina tremula.
(MEMORIAL DA CIDADE AMIGA – A. C. F.)
I. INTRODUÇÃO

Onde fica a Casa Grande da Parnaíba? Que edifício corresponde a ela?
Não, não se trata de brincadeira ou pegadinha. A indagação é pertinente porque as
respostas ou esclarecimentos sobre o assunto são tão conflitantes que saí das minhas pesquisas
de fim de semana cheio de dúvidas.
O leitor, portanto, deve cessar agora a leitura se imaginar que darei a resposta.
Em verdade, pretendo apenas mostrar e demonstrar como os livros, revistas, jornais
e documentos por mim (re)lidos recentemente tratam do tema de forma contraditória.
A confusão começa com a variedade de denominações usadas para designar o
sobrado construído em duas etapas, entre 1758/1770, para servir de residência de Domingos
Dias da Silva: Casa Grande da Parnaíba, Solar dos Dias da Silva, Casarão de Simplício Dias,
Casarão dos Dias da Silva, Solar Casa Grande.
A pergunta – qual o sobrado que representa a Casa Grande da Parnaíba? - vem
sendo respondida pelos pesquisadores e historiadores de três maneiras:
1ª) é o edifício voltado para a Rua Grande, atual Avenida Presidente Vargas, com as
linhas arquitetônicas razoavelmente preservadas;
2ª) é o edifício descaracterizado nas linhas arquitetônicas e situado na Rua
Monsenhor Joaquim Lopes (antiga Rua da Glória), próximo da Igreja de Nossa Senhora da
Graça;
3ª) é o conjunto dos dois edifícios, funcionando o da Avenida Presidente Vargas
como dependência ou anexo da Casa Grande.
II. OPINIÕES VAGAS E/OU CONTRADITÓRIAS

Existem autores que não primam pela clareza ao opinarem sobre o assunto e até os
que caem em contradição, como se observa nos seguintes exemplos:
Em 1884, de passagem na cidade da Parnaíba, visitamos a
casa solarenga de Simplício Dias da Silva, um vasto prédio de sobrado,
situado na Rua Grande, com comunicação interna para a Igreja Matriz

(F. A. Pereira da Costa – CRONOLOGIA HISTÓRICA DOS
ESTADO DO PIAUÍ, p 225/226)
Data desta época o esplêndido nicho, trabalho português,
em pedra de Dioz, colocado na quina da Casa Grande (…)
Próxima à Casa Grande erguia-se a Igreja Matriz,
construída pelos Dias da Silva e a ela ligada por uma galeria.
(BRANCO, Renato Castelo. TOMEI UM ITA NO NORTE.
São Paulo, L. R. Editores Ltda., 1981, pág. 24)
Os dois renomados escritores reportam-se à Casa Grande como sendo o prédio
localizado na Rua Grande (Avenida Presidente Vargas), ao tempo em que ressaltam a
comunicação interna entre ele e a Igreja de Nossa Senhora da Graça, situação difícil de ser
concebida, se se considerar o fato de que entre o prédio da Rua Grande e a Igreja existe o
sobrado da Rua Monsenhor Joaquim Lopes.
Sem referir-se ao nome da rua em que está situado, Carlos Eugênio Porto fornece
uma só pista a respeito do prédio famoso – a ligação interna entre ele e a Igreja:
Simplício Dias (…) era dado a extravagâncias asiáticas
como a construção daquela galeria ligando a Igreja ao palácio, a
respeito do qual se teciam lendas maravilhosas. (PORTO, Carlos
Eugênio. ROTEIRO DO PIAUÍ. Rio de Janeiro, Editora Artenova S. A.,
1974, p.76).

III. TRÊS INDICAÇÕES SOBRE A LOCALIZAÇÃO DA CASA GRANDE
Voltemos às três propostas de esclarecimento sobre qual é exatamente o sobrado
que representa a Casa Grande da Parnaíba.
De modo objetivo vejamos transcrições e comentários que abonam cada hipótese:
1ª HIPÓTESE: Casa Grande = sobrado da Avenida Presidente Vargas.
Este é o entendimento que prevalece no Instituto Histórico, Geográfico e
Genealógico de Parnaíba – IHGGP e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
– IPHAN.
No âmbito do IHGGP posso citar como defensores da ideia de que a Casa Grande é
representada pelo sobrado da Avenida Presidente Vargas: Mário Pires Santana, Reginaldo
Pereira do N. Júnior, Régis de Athayde Couto, Sólima Genuína, Vicente de Paula Araújo
Silva, Dederot Mavignier, Renato Neves Marques e outros.
Coincidentemente esse grupo de intelectuais do IHGGP é o mesmo que vem
liderando o movimento que defende a ideia de se comemorar 300 ANOS DE HISTÓRIA DA
PARNAÍBA, correspondente ao período de 11-06-1711 a 11-06-2011, com base na criação,
fundação ou instalação da denominada e imaginária Vila Nova de Parnaíba, que nunca
existiu, pois é uma ficção do baiano dono de sesmarias – Pedro Leal Barbosa – , inexistindo
qualquer documento, ato ou lavratura oficial a respeito, e simplesmente trecho corroído pelo
tempo, com palavras ilegíveis, de mero traslado de carta, dirigida ao Bispo do Maranhão,
autoridade eclesiástica não competente, pois o território do Piauí estava ainda subordinado à
Diocese de Pernambuco, o que torna o “documento nulo de pleno direito. No mencionado
traslado de carta, de junho de 1711, é feito pedido de autorização para construção de Igreja ou
Capela não construída.
É importante salientar que há uma evidente confusão entre história administrativa
(vila) e história eclesiástica (freguesia ou paróquia), pois a data da carta, se realmente histórica
e verdadeira, pertence à Diocese de Parnaíba, que já possui e consagra 8 de setembro como
sua data magna , e não teria como abrigar outra data, no caso 11 de junho, a qual já pertence à
Marinha do Brasil.
Na mesma linha de pensamento do IHGGP, no que diz respeito à Casa Grande,
posiciona-se o IPHAN, como se verifica no livro CONJUNTO HISTÓRICO E
PAISAGÍSTICO DE PARNAÍBA (Teresina: Superintendência do IPHAN no Piauí, 2010, p.
50):
Outra edificação de destaque, talvez a mais importante
delas, é a antiga Casa Grande, ou Casa de Simplício Dias, como é
atualmente conhecida (…).
Apesar de bastante modificada no pavimento térreo, o
casarão ainda conserva praticamente intactos elementos
característicos nos dois pavimentos superiores (…). Outro elemento
interessante é o pequeno nicho aplicado ao cunhal.
O texto acima é seguido de duas fotografias da Casa Grande, com esta legenda:
Vista da Casa de Simplício Dias, antiga Casa Grande, a
partir da Av. Presidente Vargas e do terraço do Hotel Delta.”
2ª HIPÓTESE: Casa Grande = sobrado da Rua Monsenhor Joaquim Lopes.
Aqui a opinião predominante na Academia Parnaibana de Letras – APAL, que vem
lutando desde a sua fundação em 1983 pela conservação e restauração da Casa Grande e do
Palacete Vista Alegre.
A partir de 1985, a Academia recebeu e expediu diversos documentos (ofícios,
memoriais, cartas, relatórios) que tratam do assunto em tese.
Em fevereiro de 1985, o então Secretário Geral do Ministério da Educação,
Coronel Sérgio Pasquali, enviou uma carta (01-02-1985) ao Secretário de Cultura, Desportos e
Turismo do Piauí, deputado Jesualdo Cavalcanti Barros, e outra destinada ao escritor
parnaibano e membro da APAL Renato Castelo Branco (15-02-1985), das quais transcrevo os
seguintes trechos:
Brasília, 01 de fevereiro de 1985.
Dep. Jesualdo:
(…)
Informo que o MEC, através do FNDE, está liberando 350
milhões de cruzeiros para reequipamento da Fundação Cultural do
Piauí e compra e restauração da Casa Grande de Simplício Dias, em
Parnaíba.
Brasília, 15 de fevereiro de 1985
Meu caro Renato:
(…)
É também grande minha satisfação informar-lhe que
estamos liberando para a Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo
do Piauí a importância de 200 milhões de cruzeiros para a aquisição e
restauração da Casa Grande de Simplício Dias (Parnaíba), atendendo
a uma antiga aspiração sua, e mais 150 milhões para reequipamento
da Fundação Cultural do Estado.
Em razão das correspondências assinadas pelo Coronel Sérgio Pasquali, a APAL
elaborou em 1985 um memorial dirigido ao Secretário de Cultura, Desportos e Turismo,
deputado Jesualdo Cavalcanti Barros, nos seguintes termos:
Senhor Secretário:
A Academia Parnaibana de Letras, por sua Diretoria infraassinada,
toma a liberdade de expor a V. Exª o seguinte:
(…)
4. Que a Casa Grande dos Dias da Silva, localizada ao lado
da também histórica Catedral de Nossa Senhora da Graça, na Rua
Monsenhor Joaquim Lopes, às proximidades da Avenida Presidente
Vargas, é, assim, o local ideal e oportuno para transformar-se no
Centro de Cultura de Parnaíba, em cujas dependências poderão ser
abrigados o museu da cidade, um auditório, a sede da APAL e
biblioteca pública.
(…)
7. Por oportuno, segue em anexo a atual proposta de venda
do mencionado imóvel. O novo preço, traduzido em moeda corrente,
está expresso também em ORTN's.
8. O nosso confrade Renato Castelo Branco assegurou aos
companheiros Alcenor Rodrigues Candeira Filho e Cândido de
Almeida Athayde que tem todas as condições para conseguir da
Fundação Roberto Marinho os valores necessários para fazer face às
despesas com restauração, adaptação e pintura da Casa Grande.
Em 11-03-1985, uma Comissão da APAL, integrada por Cândido de Almeida
Athayde, Salmon Noronha Lustosa Nogueira e Lauro Andrade Correia, apresentou ao
Presidente João Nonon de Moura Fontes Ibiapina relatório com dados e informações sobre a
Casa Grande. Eis parte do teor desse documento:
(…)
A visita ao local nos levou a confirmar a existência e
separação nítida de dois edifícios, a saber:
a) Sobrado da atual Rua Monsenhor Joaquim Lopes, nº
629, com 3 pavimentos, próximo à Catedral, identificado como CASA
GRANDE dos Dias da Silva, construído por Domingos Dias da Silva
em 1770, e que serviu também de residência de seu filho – Simplício
Dias da Silva. O sobrado foi reformado e conservado, certo que a
reforma principal foi empreendida pelo então proprietário Sr. Rodrigo
Ricardo Coimbra.
b) Sobrado de esquina da Avenida Presidente Vargas com a
Rua Monsenhor Joaquim Lopes, próximo ao anterior, mas mais distante
da Catedral, identificado como Sobrado Vista Alegre, construído pela
família Silva Henriques, representada por Manoel Antônio Silva
Henriques, sobrinho de Domingos Dias da Silva, e seu filho Domingo
Dias da Silva Henriques. O sobrado, além de residência da família
Silva Henriques, foi residência de José Francisco Miranda Osório,
casado, primeiras núpcias, com Angélica da Silva Henriques, filha de
Manoel Antônio da Silva Henriques.
Ambos os edifícios possuem 3 pavimentos, mas facilmente se
verifica que a Casa Grande tem altura superior a 1,50m mais que o
sobrado Vista Alegre.
(…)
Não temos dúvida, em poder reafirmar que a CASA
GRANDE é o sobrado colonial, contíguo à Catedral, com 3
pavimentos, construído em 1770, se constituindo no mais importante
patrimônio histórico-cultural da cidade.
Em 14-06-1986, novamente a Academia se dirige à Secretaria Estadual de Cultura,
Desportos e Turismo, agora com novo titular, o Secretário Monsenhor Solon Correia de
Aragão.
O documento entregue ao Secretário Solon praticamente reproduz o teor do ofício
anteriormente encaminhado à mesma Secretaria e é assinado por toda a Diretoria da APAL, a
saber: José de Anchieta M. de Oliveira (Presidente), Caio Passos (Secretário-Geral) Bernardo
Batista Leão (1º Secretário) Raimundo Fonseca Mendes (2º Secretário), Maria da Penha F. e
Silva (1º Tesoureira), José de Lima Couto (2º Tesoureiro), Raul Furtado Bacelar
(Bibliotecário).
Em ofício datado de 06-08-1987 e destinado ao Governador Alberto Tavares Silva,
a APAL insiste na questão do tombamento da Casa Grande dos Dias da Silva.
Desse ofício constituído de cinco folhas e assinado por Lauro Andrade Correia
como presidente da Academia e pelo secretário-geral Alcenor Rodrigues Candeira Filho,
destaco este trecho:
Que assim, esta Academia tem opinião firmada no sentido
de que a Casa Grande dos Dias da Silva, localizada ao lado da também
histórica Catedral de Nossa Senhora da Graça, na atual Rua
Monsenhor Joaquim Lopes, nº 629, nas proximidades da Avenida
Presidente Vargas, é o prédio de maior valor histórico de Parnaíba,
com três pavimentos e construído na segunda metade do século XVIII
por Domingos Dias da Silva, para sua residência.
Em 1997, a APAL encaminhou ao prefeito Antônio José de Moraes Souza Filho
dois memoriais. O primeiro focaliza três assuntos: Biblioteca Municipal, Museu da Cidade e
Arquivo Público Municipal; o outro trata do Sobrado Vista Alegre.
Em ambos os documentos a APAL insiste em distinguir a Casa Grande do Sobrado
Vista Alegre. Esses memoriais foram assinados praticamente por todos os acadêmicos
residentes em Parnaíba: Lauro Andrade Correia, Alcenor Rodrigues Candeira Filho, Carlos
Araken Correia Rodrigues, Edmée Rêgo Pires de Castro, Francisco Iweltman Vasconcelos
Mendes, Francisco Pereira da Silva Filho, Israel José Nunes Correia, José de Anchieta Mendes
de Oliveira, Renato Neves Marques, Rubem da Páscoa Freitas, Salmon Noronha Lustosa
Nogueira e Cândido de Almeida Athayde.
As acadêmicas e historiadoras Maria Luíza Mota e Maria da Penha Fonte e Silva
externam com muita clareza as suas convicções sobre o tema.
Do livro PARNAÍBA, MINHA TERRA, da Maria da Penha (Parnaíba, 1987),
transcrevo trechos das págs. 41 e 50:
Na Rua Monsenhor Joaquim Lopes, antiga Rua da Glória,
esquina com a Avenida Presidente Vargas fica situada a Casa Grande
da Parnaíba (…) com três pavimentos (…). É preciso não confundir. A
casa solarenga com frente para a Avenida Presidente Vargas é o
sobrado Vista Alegre e não faz parte do histórico sobrado dos Dias da
Silva, que é um só bloco com 06 janelas de sacada e uma porta larga e
é a mais alta. (p. 41)
O sobrado colonial Vista Alegre está situado na Avenida
Presidente Vargas, ao lado da suntuosa Casa Grande da Parnaíba.
O Vista Alegre ainda conserva autêntica a sua arquitetura; é
mais baixo e pertencia a Manoel Antônio da Silva Henriques, parente
bem próximo de Domingos Dias da Silva (…). A fachada do sobrado
Vista Alegre não foi reformada como a Casa Grande e conserva suas
características coloniais (p.50).
Por sua vez, Maria Luísa Mota declara nos livros de sua autoria JOSÉ
FRANCISCO DE MIRANDA OSÓRIO E SEUS DESCENDENTES (Editora Henriqueta
Galeno, Fortaleza, 1980, p. 60) e PARNAÍBA NO SÉCULO XX (Gráfica Aley, Fortaleza,
1994, p. 62):
Sobrado Colonial Vista Alegre, ao lado da suntuosa e
secular Casa Grande de Simplício Dias.
Aí morou Miranda Osório …
Na Avenida Presidente Vargas o bicentenário sobrado Vista
Alegre, que pertenceu à família Miranda Osório …
Cito finalmente como defensor dessa segunda corrente de pensamento Cláudio
Bastos, em cuja gigantesca obra DICIONÁRIO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO
ESTADO DO PIAUÍ, produto de 32 anos de pesquisas, está escrito sobre os dois sobrados em
questão:
PARNAÍBA: Os prédios mais antigos são: Casa Grande da
Parnaíba – sobrado de 3 pavimentos, construído entre 1768/70, por
Domingos Dias da Silva para sua resistência. Fica na rua Monsenhor
Joaquim Lopes, 129, junto ao sobrado Vista Alegre, que tem frente a
antiga rua grande atual avenida Presidente Vargas (…). Sobrado Vista
Alegre – 1740. Era propriedade de Manuel Antônio da Silva Henriques.
Ao lado da Casa Grande. Esquina da Rua Grande (Av. Presidente
Vargas) com rua Monsenhor Joaquim Lopes. 3 andares. Nicho no 2º
andar, com a imagem de Nossa Senhora da Conceição (…)
(BASTOS, Cláudio. DICIONÁRIO HISTÓRICO E
GEOGRÁFICO DO ESTADO DO PIAUÍ. Teresina, Fundação Cultural
Monsenhor Chaves, 1994, p. 47).
3ª HIPÓTESE: Casa grande = o conjunto dos dois edifícios, sendo o da Av. Pres.
Vargas dependência ou anexo do outro.
Destaco como defensores do ponto de vista acima os intelectuais parnaíbanos
Orfila Lima dos Santos, Elita Araújo e José de Nicodemos Alves Ramos, como se constata nas
seguintes transcrições:
Outro marco foi o Solar Casa Grande, residência dos Dias
da Silva, localizado ao lado da igreja (…)
Raimundo foi assassinado aos trinta e nove anos, sendo que
no anexo do Solar Casa Grande, o edifício voltado para a atual
Avenida Presidente Vargas, na esquina, ainda temos o símbolo
instalado relacionado ao assassinato.
(PARNAÍBA E A NOSSA HISTÓRIA – trabalho de Orfila
Lima dos Santos encaminhado a APAL através da carta datada de 05-
11-1997).
Existe ainda um sobrado de aspecto bem antigo que está
carcomido pelo tempo, anexo à Casa Grande de Simplício Dias – Vista
Alegre, que pertenceu a Manoel Antônio da Silva Henriques, situado na
Presidente Vargas.
Alguns o consideram casarão; outros, não. Sua entrada
principal é para a referida avenida. É quase certo que esse sobrado
pertencia à Casa Grande.
(ARAÚJO, Maria Elita Santos de. PARNAÍBA: O ESPAÇO E
O TEMPO. Parnaíba. Gráfica Sient, 2002, págs. 52/53).
Aqui começou a construir o complexo arquitetônico da Casa
Grande, formado por dois edifícios contíguos, ambos com três andares:
o térreo, destinado ao comércio; e os outros dois, à família. Um virado
para a Rua Monsenhor Joaquim Lopes, atualmente bastante
descaracterizado. O outro voltado para a Rua Grande, que se encontra
destroçado, mas permanece com muitas de suas características, entre
elas um pequeno nicho para colocação de santo protetor.
(RAMOS, José de Nicodemos Alves. PARNAÍBA DE A a Z –
GUIA AFETIVO. Brasília. Multicultural Arte e Comunicação Ltda.,
pág. 78)
IV. CONCLUSÃO

Mais importante do que discutir sobre qual prédio representa verdadeiramente a
Casa Grande – são as conquistas que estão sendo alcançadas no presente, com o tombamento
do centro histórico e paisagístico de Parnaíba e com o início e andamento das obras de
recuperação do sobrado voltado para a Avenida Presidente Vargas.
Com a conclusão da obra, resta saber o que será instalado no prédio reformado:
Museu da Parnaíba? Biblioteca Municipal? Centro Cultural? Arquivo Público Municipal?
Eis aí um assunto pelo qual os parnaibanos devemos nos interessar.
Para facilitar a decisão sobre o uso do edifício em restauração pelo IPHAN na
Avenida Presidente Vargas, lembro que a Esplanada da Ferrovia tem ao seu derredor a
Secretaria Municipal de Educação, A Secretaria Municipal de Cultura, A Secretaria Municipal
de Turismo, O Centro de Eventos Mandu Ladino, o Museu do Trem e a Faculdade de Direito
da UESPI, e para a Esplanada da antiga Estrada de Ferro Central do Piauí estão projetadas
duas obras básicas para a nossa cidade: Biblioteca Pública Municipal, moderna, com
capacidade para 50.000 livros; Arquivo Público Municipal, moderno, com ar condicionado
para a conservação dos documentos e papéis antigos, desgastados pelo tempo.
Lembro finalmente que Parnaíba – Cidade Polo, Rainha do Delta e Cidade
Universitária, com mais de 145.000 habitantes, dos quais 10.000 universitários, não conta
ainda com seu Museu Municipal.
Parnaíba, abril de 2011.

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